domingo, 16 de fevereiro de 2014

Marconi e Iris em posições difíceis no tabuleiro eleitoral


As duas maiores lideranças políticas do Estado, o governador Marconi Perillo (PSDB) e o ex-governador Iris Rezende (PMDB) se encontram pressionados no jogo eleitoral que prepara o terreno das eleições de outubro. Apesar disso, vivem dilemas diferentes. O tucano se vê forçado a uma candidatura à reeleição mesmo que o cenário não o seja favorável. Já o peemedebista assiste os seus principais aliados se renderem ao ‘poderio estrutural’ do empresário Júnior do Friboi (PMDB) e, com isso, tem suas chances de candidatura diminuídas.

Na semana passada, o duro golpe a Iris foi anunciado pelo Twitter via assessoria de Friboi – Mauro Miranda, ex-senador e aliado de primeira hora irista fechou negócio com o empresário e será um dos coordenadores de sua pré-campanha. Foi apenas mais um em uma lista imensa de ex-iristas que estão, agora, com Friboi. Dentre eles, até mesmo os chamados Golden Boys de Iris, como o deputado estadual Wagner Siqueira, o Waguinho, e o vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano, desfilam com Friboi nos eventos.

Enquanto isso, Iris Rezende dialoga reservadamente. Se resume a atender lideranças que vão até ele em seu escritório político em Goiânia. Não atua publicamente. É bico calado e articulação ligeira. Para as pessoas próximas, Iris demonstra tranquilidade. Uma serenidade que acaba deixando apreensivos aqueles que esperam de Iris uma ação. E ele já prometeu que ela virá, só não se sabe quando.

O silêncio e cuidado de Iris são, em parte, justificados. O ex-governador e ex-prefeito de Goiânia precisa atuar cirurgicamente, sob o risco de rachar o partido. Mesmo porque se Friboi tem grandes somas de recursos financeiros e grande parte do partido ao seu lado, Iris tem o seu passado político e boa parte das intenções de votos para o governo, segundo todas as pesquisas divulgadas até o momento. Ou seja, Friboi dificilmente terá sucesso sem Iris, como disse o próprio publicitário contratado por Friboi Duda Mendonça, há algumas semanas em entrevista coletiva na Capital.

Iris Rezende se encontra em posição difícil no tabuleiro, por isso adia a sua próxima jogada. O grande problema é que o tempo passa e isso já começa ser um complicador para o ex-governador. No jogo político, a não-ação também é uma ação e tem os seus desdobramentos. Em jogo, a sua quinta candidatura ao Palácio das Esmeraldas e o confronto contra, provavelmente, Marconi Perillo (mais uma vez).
Pressão
No outro extremo da política goiana, Marconi Perillo faz o oposto de Iris. Se movimenta e age sem parar. Quer completar o giro a todos os municípios goianos (iniciado no ano passado) nos próximos meses. O objetivo é ainda a recuperação política de seu governo e a viabilização de um projeto fortalecido para outubro.

Politicamente, Marconi também não tem muitas alternativas para o jogo eleitoral. Recebe de sua base toda a pressão para ser candidato a um quarto mandato. Mesmo com avisos do próprio tucano de que ele pode não ser opção para outubro - que pode ter outro projeto, dar um tempo na política e etc... -, seus aliados não querem conversa. O querem candidato e pronto.

Se Marconi não for candidato, a base aliada estará divida, na analise de várias lideranças. Duas delas já expuseram isso publicamente. O deputado Jovair Arantes, líder do PTB, já disse mais de uma vez que o seu partido não tem compromisso com nenhum outro nome que não seja Marconi. Ele, inclusive, não esconde que tem boa proximidade com o prefeito de Anápolis Antônio Gomide, pré-candidato petista ao governo. Pode ser uma saída, que uniria PT-PTB, aliados nacionais, em Goiás.

Marcos Abrão Roriz, ex-presidente da Agehab e presidente regional do PPS, também disse em entrevista à Tribuna (no fim do ano passado) que seu partido estará livre, caso o candidato ao governo não seja Perillo. Um caminho, segundo ele, seria uma candidatura própria do PPS. Outro, que se abriu mais recentemente, seria uma aliança com o PSB do empresário Vanderlan Cardoso, já que PPS e PSB estarão juntos no plano nacional. Difícil, mais possível.

Por tudo isso, Marconi não tem alternativa que não seja ser candidato. E isso é ruim? Pode ser, caso ele não consiga recuperar a sua imagem e, nas vésperas da convenção, conclua que suas chances de vitória são pequenas. Neste caso, terá duas opções: ser candidato de qualquer maneira e manter o controle da sua base, ou se preservar e tentar bancar um novo projeto, com um novo nome à frente.

Qualquer que seja a sua decisão, o desafio de Marconi é o oposto do de Iris. O peemedebista não realiza a sua ‘jogada’ porque vê várias possibilidades à sua frente e sabe que não pode errar. Espera para que o tempo mostre o melhor caminho. Marconi também tem movimentação limitada, mas, no seu caso, o caminho é um só e está mais do que traçado – focar o governo e tentar viabilizar o seu projeto político. E é isso que ele tem feito.

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